20 Fevereiro 2026

Missão a Londres — Pledging sessions e investimento comunitário

No passado dia 12 de fevereiro de 2026 tive o privilégio de me deslocar a Londres, a convite da The Funding Network (TFN), em representação do Centro Português de Fundações. O objetivo desta missão foi conhecer, por dentro, o modelo de pledging sessions promovido pela TFN e perceber como podemos importar e adaptar este mecanismo de financiamento para fortalecer as fundações comunitárias em Portugal.

A sala estava cheia de energia cívica. Fomos calorosamente recebidos pelo Rathbones Greenbank, num ambiente que reunia cerca de 100 participantes: membros da TFN, uma turma de alunos acompanhada pelo seu professor, cidadãos que se juntaram ao evento e diversos convidados com interesse em investir em projetos comunitários de impacto.

O formato é simples, mas poderoso: três projetos apresentam-se ao público, partilhando o problema, a solução e o impacto esperado. A partir daí, abre-se uma dinâmica de doação — quase como um leilão solidário — onde cada participante contribui de acordo com as suas possibilidades.

Nesta sessão, o desafio era ambicioso: angariar pelo menos 10.000 libras para cada projeto. As iniciativas apresentadas foram:

A prevenção da violência com armas brancas em bairros vulneráveis de Londres, promovida pela Fazamnesty

Um programa intergeracional que liga adolescentes a mulheres seniores, criando redes de apoio emocional e orientação, dinamizado pela Flourish Mentors

Passeios e atividades na natureza para promoção da saúde mental e bem-estar, desenvolvidos pela Become United

Cada projeto demonstrou de forma clara o seu impacto direto nas comunidades onde atua — mostrando como pequenas contribuições podem gerar mudanças profundas e duradouras.

Tive a oportunidade de participar ativamente nesta dinâmica de doação. Foi emocionante assistir ao momento em que as pessoas se levantavam para contribuir — alguns com 5 libras, outros com 100 ou 200, e alguns doadores com contributos de 2.000 libras ou mais. Em apenas três horas de evento, não só os objetivos foram atingidos, como superados: mais de 40.000 libras foram angariadas para os três projetos.

O mais inspirador deste modelo é a forma como transforma a doação individual num investimento coletivo de impacto. Cada contributo, independentemente do seu valor, ganha força ao juntar-se aos restantes — multiplicando o seu efeito nas comunidades beneficiárias.

Saí desta experiência com a convicção reforçada de que este modelo de financiamento participativo tem um enorme potencial para ser desenvolvido em Portugal, especialmente no contexto das fundações comunitárias.

Foi uma noite feliz, de aprendizagem e inspiração, onde ficou claro que, quando as pessoas se juntam em torno de uma causa comum, é possível gerar mudança real.

 

Sofia Machado

Vogal da Direção do CPF

Co-coordenadora do Grupo Temático Fundações Comunitárias

 


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