Inscrições já abertas para o simpósio deste ano
Fundação Bial reúne investigadores para debater experiências de fim de vida
“Experiências de fim de vida” é o tema da edição de 2026 do Simpósio “Aquém e Além do Cérebro”, promovido pela Fundação Bial, que decorrerá de 8 a 11 de abril, na Casa do Médico, no Porto, e cujas inscrições estão já abertas.
Esta edição, a 15ª, reúne alguns dos mais destacados investigadores internacionais em neurociências, psicologia e filosofia, numa reflexão profunda sobre um dos fenómenos mais universais e desafiantes da condição humana.
O simpósio tem como objetivo fomentar o diálogo interdisciplinar entre diferentes abordagens — científicas, filosóficas e culturais — para explorar o que é cientificamente conhecido sobre os processos biológicos que ocorrem quando a vida termina, como diferentes culturas interpretam a morte e se a experiência da morte pode alterar a nossa compreensão da realidade.
Axel Cleeremans (Bruxelas, BE), psicólogo e presidente da comissão organizadora, afirma que “o objetivo do simpósio não é tanto trazer novos dados para a comunidade, mas sim promover a troca de ideias num formato aberto e criativo. Certamente que um dos aspetos centrais dos debates se centrará em torno da tensão entre as abordagens estritamente científicas da morte e as abordagens mais espirituais, que muitas vezes deixam em aberto a possibilidade de uma existência continuada após a morte”.
Abertura e programação científica
O programa estende-se por quatro dias, começando com uma palestra de abertura na tarde de 8 de abril, proferida pelo eminente neurocientista Christof Koch (Seattle, EUA), seguida de sessões temáticas focadas em diferentes dimensões das experiências de fim de vida.
O programa continua na manhã de 9 de abril com a sessão dedicada aos “Processos de fim de vida”, moderada por Helané Wahbeh (Novato, EUA). Esta sessão contará com intervenções de Michael Rera (Paris, FR), que abordará a biologia do processo de morrer, de Daniel Kondziella (Copenhaga, DK), que explorará a origem evolutiva das experiências de quase morte, e de Marjorie Woollacott (Eugene, EUA), que se centrará no fenómeno da lucidez terminal. A manhã encerra com uma conferência de Michael Nahm (Freiburg, DE), dedicada à síntese dos fenómenos invulgares associados às experiências de fim de vida.
No dia 10 de abril, o simpósio prossegue com a sessão “Momentos de fim de vida”, inteiramente dedicada às experiências de quase morte (EQM), sob a moderação de Etzel Cardeña (Lund, SE). A sessão tem início com Janice Holden (Denton, EUA), que analisará experiências anómalas relatadas por pessoas que viveram uma EQM, seguindo-se Charlotte Martial (Liège, BE), com uma perspetiva neurocientífica sobre o fenómeno. Bárbara Gomes (Coimbra, PT) irá refletir sobre o que é mais importante para as pessoas nos seus últimos momentos de vida, antes da conferência magistral de Jim Tucker (Charlottesville, EUA), dedicada à análise de relatos de memórias de vidas passadas em crianças e às questões sobre como devemos interpretar este fenómeno.
A 11 de abril, a terceira sessão aborda as “Crenças e impactos de fim de vida”, sendo moderada por Veena Kumari (Londres, UK). O programa inclui uma abordagem etnográfica de Mira Menzfeld (Zurique, CH) sobre a perceção e vivência da morte em diferentes culturas, seguida da perspetiva antropológica de Allan Kellehear (Newcastle upon Tyne, UK) sobre como a experiência da morte pode ajudar a compreender as condições que tornam o morrer uma experiência significativa. Marieta Pehlivanova (Charlottesville, EUA) apresentará uma síntese do impacto das experiências de quase morte e da necessidade de apoio das pessoas que as vivenciam, e a manhã encerra com uma conferência de Fanny Charrasse (Bruxelas, BE), centrada nas interpretações xamânicas e psicológicas das experiências de quase morte associadas a rituais com ayahuasca.
Apresentações orais e workshops
Para além das sessões científicas, na tarde de 9 de abril, investigadores apoiados pela Fundação Bial apresentam os seus trabalhos numa sessão de apresentações orais moderada por Mário Simões (Lisboa, PT). Na tarde de 10 de abril, realizam-se quatro workshops (W) participativos, envolvendo os investigadores Rainer Goebel (Maastricht, NL), Stefan Schmidt (Freiburg, DE) e Yesche Regel (Bonn, DE) no W1 – Dying within the Buddhist tradition and how to prepare for death; Chris Roe (Northampton, UK), Etzel Cardeña e Marieta Pehlivanova no W2 – Living fully: The wisdom of near-death experiences; Rui Costa (Seattle, EUA) e Julia Verne (Londres, UK) no W3 – Enabling everyone to die well – what are the gaps and who is responsible for addressing these?; Miguel Castelo-Branco (Coimbra, PT) e Bárbara Gomes no W4 – “End-of-life landscapes” in different cultures and contexts, num programa dedicado à conceção cultural da morte no budismo, às experiências de quase morte, aos cuidados paliativos e aos valores humanos no fim de vida.
O simpósio encerra na tarde de 11 de abril com uma mesa-redonda final, moderada por Axel Cleeremans (Bruxelas, BE), que contará com a participação de Etzel Cardeña, Janice Holden, Christof Koch, Charlotte Martial e Marieta Pehlivanova, num último momento de síntese e diálogo com o público.
O 15º Simpósio tem formato exclusivamente presencial.
As inscrições encontram-se abertas e podem ser efetuadas aqui.