
Portugal testemunhou, em 2025, um crescimento sem precedentes no investimento cultural através do programa de Autorização de Residência para Atividade de Investimento (ARI) Cultura. Os dados mais recentes revelam que este mecanismo se consolidou como uma ferramenta vital para a preservação do património e para a dinamização das artes no país.
Introdução: Um Ponto de Inflexão
O ano de 2025 ficará marcado pelo maior volume de projetos apoiados desde a criação do ARI Cultura. Após um período de crescimento moderado, as Declarações de Elegibilidade para investimento cultural registaram um salto exponencial, posicionando o programa como um dos principais motores de captação de capital para o setor.
Os números são inequívocos: das 87 declarações de elegibilidade emitidas entre 2020 e 2025, 51 foram concedidas apenas no decorrer de 2025, o que representa 58,6% do total histórico do programa. O mês de agosto de 2025 destacou-se como o período de maior atividade, com a emissão de 16 declarações.
No que concerne ao valor financeiro, o impacto é ainda mais evidente:
O programa divide-se em duas grandes áreas, com o património a concentrar a maior fatia do investimento:
A distribuição regional revela um país a várias velocidades, com um destaque inequívoco para a região Norte:
O investimento distribui-se entre zonas de densidade urbana regular e zonas de baixa densidade, evidenciando a capacidade de atrair capital para além dos grandes centros:
Este equilíbrio demonstra que quase metade do capital captado está a ser canalizado para o interior ou áreas economicamente menos densas, promovendo a coesão territorial através da cultura.
A análise do destino final dos fundos revela que a preservação do legado histórico português é a principal motivação dos investidores:
O pódio do investimento é dominado por três potências que, em conjunto, representam mais de 77% do capital total:
Conclusão: 2026 O que esperar?
Os resultados de 2025 demonstram que o ARI Cultura evoluiu de um programa marginal para um pilar estruturante na preservação da memória e na criação contemporânea em Portugal. O amadurecimento deste mercado é visível na concentração de investimento em instituições de referência e na aposta contínua na recuperação patrimonial.
Para 2026, perspetiva-se que o programa continue a ser um instrumento fundamental para viabilizar projetos que, de outra forma, enfrentariam maiores dificuldades de financiamento.
É, por fim, imperativo sublinhar o papel crucial das fundações no desenvolvimento, promoção e inovação cultural do país.
Ricardo AP Garcia